quinta-feira, 12 de julho de 2007

RANKING DA CACHAÇA

Discordo em alguns pontos, mas é um belo material.
Saúde !
Rodrigo Nonno
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Por Willian Vieira.

Cada vez mais, o Brasil deixa de ser o único país do mundo a se envergonhar do seu destilado. A boa e velha cachaça há muito deixou de ser uma bebida sem valor. Hoje é apreciada em confrarias, tem admiradores mundo afora e já conta com legislação específica. Fatores que, combinados, impulsionam um mercado promissor, com lucro de até 600 milhões de dólares ao ano.

São mais de 5 mil marcas de cachaça legalizadas no Brasil e uma produção de cerca de 1,4 bilhão de litros ao ano. Nessa conta estão desde cachaças artesanais que levam anos para ficarem prontas e podem custar até 500 reais a garrafa, até pingas industriais produzidas em algumas horas e vendidas a 2 ou 3 reais. Um abismo não só de preço, mas principalmente de qualidade. Dizer qual cachaça tem sabor mais intenso, melhor buquê, melhor aroma e, em especial, qual realmente vale o que se paga por um vinho importado (embora raramente custe tanto) não é tarefa simples. Por isso, reunimos 13 experts no assunto e pedimos que eles votassem nas melhores cachaças do Brasil. Apurada a votação, levamos o químico especialista em destilados Erwin Weimann, autor do livro Cachaça: a Bebida Brasileira, à Universidade da Cachaça, em São Paulo, onde, ao lado do chef Sérgio Arno, dono da casa, ele degustou e comentou cada uma das 20 escolhidas. Confira aqui quais são, segundo os bons entendedores, as melhores aguardentes do país.


20º Lugar Volúpia

Procedência: Alagoa Grande, PBGraduação alcoólica: 42%Envelhecimento: descansada um ano em freijó
Bebida de sabor forte e bastante pronunciado, a paraibana Volúpia é uma das duas representantes das cachaças nordestinas na votação dos especialistas. É descansada em freijó, uma madeira típica do Nordeste, raramente usada por outros produtores e que pouco interfere na bebida, o que explica a cor branca dessa aguardente.


19º Lugar GRM

Procedência: Araguari, MGGraduação alcoólica: 41%Envelhecimento: dois anos em carvalho, umburana e jequitibá-rosa
Cachaça envelhecida de excelente equilíbrio e harmonia. A combinação de três madeiras suaviza a força da umburana e proporciona um sabor palatável, puxado para o amargo.


18º Lugar Seleta

Procedência: Salinas, MGGraduação alcoólica: 42%Envelhecimento: dois anos em umburana
Envelhecida em umburana, a Seleta é um bom exemplo da presença dessa madeira, que empresta um gosto acre, forte e persistente por muito tempo. Recomendada aos que gostam de sabores intensos.


17º Lugar Abaíra

Procedência:Chapada Diamantina, BAGraduação alcoólica: 42%Envelhecimento: três anos em carvalho.
Límpida e brilhante, com aroma suave. Nela prevalece o carvalho, que virou um símbolo de qualidade entre destilados, por causa dos whiskies e cognacs.


16º Lugar Lua Cheia

Procedência: Salinas, MGGraduação alcoólica: 45%Envelhecimento: entre dois e três anos em bálsamo.
Das mais típicas de Salinas. O bálsamo confere a ela uma cor dourada e cintilante, além de trazer um sabor amadeirado e levemente apimentado.


15º Lugar Mato Dentro

Procedência: São Luiz do Paraitinga, SPGraduação alcoólica: 41%Envelhecimento: descansada oito meses em amendoim.
Na variação Prata, a escolhida pelos votantes, ela é envelhecida em tonéis de amendoim, uma madeira neutra, que interfere pouco na aguardente, e dá coloração límpida. Tem sabor e aroma delicados, próximos da cana. Quase com "cheiro de roça".


14º Lugar Corisco

Procedência: Parati, RJGraduação alcoólica: 45%Envelhecimento: dois anos em carvalho.
"É uma cachaça jovem, que ainda precisa envelhecer", afirmam nossos conhecedores. A combinação de muito álcool e pouco envelhecimento, característica das cachaças de Parati, resulta numa bebida forte e picante. Boa representante das pingas da região.


13º Lugar Sapucaia Velha

Procedência: Pindamonhangaba, SPGraduação alcoólica: 40,5%Envelhecimento: dez anos em carvalho.
É do envelhecimento no carvalho que vem o sabor e o buquê acentuados. Criada em 1930, tem fama de ser produzida com extremo cuidado.


12º Lugar Indaiazinha

Procedência: Salinas, MGGraduação alcoólica: 48%Envelhecimento: oito anos em bálsamo.
De cor dourada, passa por longo envelhecimento no bálsamo, o que dá a ela um sabor ligeiramente semelhante ao de amêndoa. "Para se beber de joelhos", diz Weimann.


11º Lugar Maria Izabel

Procedência: Parati, RJGraduação alcoólica: 44% (o rótulo indica, erroneamente, 42%)Envelhecimento: entre um e quatro anos em carvalho.
Suave, agradável, de baixa acidez. Aroma e sabor lembram a cana. Se destaca entre as cachaças de Parati pelo esmero da produtora e pelo uso do carvalho.


10º Lugar Piragibana

Procedência: Salinas, MG; Graduação alcoólica: 47%Envelhecimento: 22 anos em bálsamo e carvalho.
A Piragibana é harmônica, com sabor e aroma persistentes, ainda que delicados - resultado do longuíssimo envelhecimento em bálsamo e carvalho. Caso típico de influência da combinação de madeiras, aqui escolhidas por Juventino Miranda, o produtor.


9º Lugar Magnífica

Procedência: Miguel Pereira, RJGraduação alcoólica: 45%Envelhecimento: três anos em carvalho.
Uma cachaça equilibrada. Apesar dos 45% de graduação alcoólica, a Magnífica é uma bebida suave, que desce fácil e apresenta buquê simples de cana jovem. Sua cor límpida é mais um destaque.


8º Lugar Armazém Vieira

Procedência: Florianópolis, SCGraduação alcoólica: 44%Envelhecimento: quatro anos em ariribá.
O ariribá, madeira do litoral catarinense pouco usada no armazenamento de cachaças, tem interferência mínima na bebida e permite que ela envelheça sem afetar o gosto da cana. Desce macia, segundo os especialistas, pois o frescor da cana equilibra bem com a madeira.


7º Lugar Casa Bucco

Procedência: Passo Velho, RSGraduação alcoólica: 40%Envelhecimento: dois anos em bálsamo e carvalho.
Seu aroma e o sabor de carvalho são persistentes e lembram um bom brandy. É ácida e um pouco forte, sabores típicos de um terroir com pH elevado. Para quem gosta de carvalho e de tudo o que a madeiraempresta à bebida.


6º Lugar Boazinha

Procedência: Salinas, MGGraduação alcoólica: 42%Envelhecimento: dois anos em bálsamo.
Cor brilhante e viscosidade perfeita, com forte presença do bálsamo no aroma e no sabor, que persistem longamente. A Boazinha é uma clássica representante de Salinas, por causa da influência da madeira: cor bem amarelada e sabor marcante.


5º Lugar Claudionor

Procedência: Januária, MGGraduação alcoólica: 48%Envelhecimento: entre um e meio e dois anos em carvalho.
A cidade de Januária já foi sinônimo da bebida, mas perdeu a vez para Salinas como região emblemática da cachaça mineira. A Claudionor, porém, é ótima opção para quem gosta de cachaça à moda antiga, forte, com muito gosto de cana. Para adequar-se à nova legislação, teve de reduzir seus 54% de graduação alcoólica para "apenas" 48%. Transparente, apesar de bem envelhecida, Claudionor tem buquê neutro, de cana madura e bem descansada, cujo gosto persiste na boca. É uma cachaça com corpo, equilibrada, perfeita para quem foge das madeiras.


4º Lugar Germana

Procedência: Nova União, MGGraduação alcoólica: 40%Envelhecimento: dois anos em carvalho e bálsamo.
Facilmente reconhecida numa prateleira devido à embalagem, a garrafa da Germana é toda revestida de folhas secas de bananeira por mulheres artesãs do Engenho de Nova União. O objetivo é proteger a bebida da luz e do calor e assim manter suas características. Antes de ser engarrafada, a Germana envelhece dois anos em tonéis de carvalho e bálsamo. O resultado é uma cachaça suave, com sabor sutil, que pode agradar também ao público leigo.


3º Lugar Canarinha

Procedência: Salinas, MGGraduação alcoólica: 44%Envelhecimento: três anos em .
A procedência e o sobrenome do produtor são belas credenciais. Produzida em Salinas, a Canarinha é feita por Noé Santiago, sobrinho de Anísio Santiago, criador da famosa cachaça Havana (veja abaixo). Antes de ser embalada nas tradicionais garrafas de cerveja, ela é envelhecida por três anos em tonéis de bálsamo, o que lhe confere uma cor suave, amarelinha, e um sabor levemente apimentado, típico das aguardentes de Salinas. Para Weimann, a cor dourada como um champagne, o sabor frutado e o buquê de flores do campo e capim fazem a diferença. "É uma cachaça das mais puras, equilibrada, persistente e excelente", garante Weimann.


2º Lugar Anísio Santiago

Procedência: Salinas, MGGraduação alcoólica: 44,8%Envelhecimento: entre seis e oito anos em carvalho e bálsamo.
Anísio Santiago é mais que uma cachaça - é um mito. Forte, com cheiro de madeira seca, um leve amargor que permanece na boca, sabor e aroma persistentes. "O segredo de Anísio é a combinação de madeiras diversas. Não é perfeita, é mais uma boa cachaça, um ícone a ser reverenciado", diz Weimann. E que se tornou mitológica devido a uma questão judicial: a Havana perdeu o nome e foi rebatizada como Anísio Santiago. Hoje, uma garrafa antiga de Havana chega a custar mais de 20 mil reais. "É o marketing 'cubano': 'a gente faz por gosto, dane-se o mercado, quem quiser que corra atrás'. Ainda que haja uma dúzia de cachaças tão boas quanto ela por 10% do preço", diz o jornalista Ronaldo Ribeiro, autor de várias reportagens sobre a Havana. O preço de uma Anísio Santiago varia bastante, podendo custar entre 200 e 300 reais em São Paulo. "A expectativa é tão grande que, ao provar, no primeiro gole você já está fascinado", garante Ribeiro. Tal é o sabor de uma boa história.


1º Lugar Vale Verde

Procedência: Betim, MGGraduação alcoólica: 40%Envelhecimento: três anos em carvalho.
A campeã é uma cachaça correta em todos os sentidos. É produzida na fazenda Vale Verde que, além de engenho de cachaça, é também um parque ecológico, com visitas guiadas onde se pode conhecer os "segredos" da produção. A aguardente é equilibrada, encorpada e madura. Segundo os produtores, suas técnicas de fermentação e destilação foram baseadas naquelas praticadas na Europa para fabricação de whiskies. Isso proporciona um produto final equilibrado, estável, pronto. Os três anos em tonéis de carvalho explicam a cor dourada e o buquê marcante de madeira. É justamente esse envelhecimento que garante o equilíbrio da bebida, que desce redondinha, sem aspereza. A cana colhida no ponto certo, fruto dos solos calcários da região de Betim, a fermentação nos antigos alambiques de cobre e a criteriosa escolha dos barris de carvalho garantem a cor brilhante e o sabor adocicado persistente. Além disso, a Vale Verde tem a melhor relação custo-benefício: uma garrafa custa, em média, 30 reais.
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Por Sérgio Arno, Chef e Dono da Universidade da cachaça

1º MANDAMENTO: ANALISARÁS BEM O RÓTULO
Verifique o ano, a procedência, a cor, o lacree a graduação alcoólica. Garrafa deve ser sempre transparente, pois a cor ajuda a identificar, entre outras coisas, as impurezas.
2º MANDAMENTO: NÃO TERÁS PRECONCEITO
Se de qualidade garantida, a cachaça nãotem nada de "marvada". Ter preconceito étotalmente infundado.
3º MANDAMENTO: BEBERÁS SEMPRE EM TEMPERATURA AMBIENTE
A temperatura ambiente é ideal, pois mantémo aroma e o sabor intocados.
4º MANDAMENTO: DARÁS A CADA CACHAÇA SEU FIM MERECIDO
Para a mundialmente conhecida caipirinha,deve-se usar uma cachaça com teor alcoólicoalto, pois o gelo dilui a bebida. E sempre branca. O sabor envelhecido não combina com a caipirinha. O mesmo tipo de cachaça, branca e forte, deve ser usado para culinária, pois o alto teor alcoólico flamba melhor. E, para beber purinha, vale a melhor cachaça, claro, envelhecida em tonéis de madeira ede boa procedência.
5º MANDAMENTO: ESTOCARÁS SEMPRE
Monte a sua adega. Mantenha as garrafas num ambiente escuro, fresco e longe da mesa, para evitar a tentação.
6º MANDAMENTO: CONHECERÁS PARA DEGUSTAR
Um pouco de conhecimento sobre o mercado e a história da cachaça ajuda a não levar gato por lebre. Salinas, por exemplo,é ícone da cachaça nacional, mas algumas marcas desconhecidas embarcam na fama e vendem pinga barata com a rubrica da cidade. Atenção às cachaças indicadaspor este ranking. Livros, como o de Erwin Weimann,também ajudam.
7º MANDAMENTO: NUNCA BEBERÁS CACHAÇA SOZINHO.
Cachaça é para bebericar com os amigos,é algo social. Quanto mais amigos se tem,mais cachaça na cabeça...

8º MANDAMENTO: COMBINARÁS A BOA CACHAÇA COM A BOA COMIDA
Tudo que é gorduroso vai bem com cachaça.Mas tem de ser branca, nunca envelhecida, porque o sabor da madeira compete com o do alimento. Cachaça envelhecida, só após as refeições, de preferência com um bom charuto.
9º MANDAMENTO: CONQUISTARÁS AMIGOS E MULHERES
Para impressionar, diga que cachaça envelhecidaguardada no freezer ganha a viscosidade de um licor, e substitui até um bom brandy.
10º MANDAMENTO: DEGUSTARÁS, MAS NÃO SE TORNARÁS UM CACHACEIRO
As provas de cada cachaça devem ser pequenas.Mesmo. Mas não se cospe depois- seria pedir demais. Tenha sempre água, pão ou bolinho para consumir entre as provas, para limpar a boca.

Os jurados
MARCELO CÂMARADegustador profissional e autor do livro Cachaça - Prazer Brasileiro
JOÃO BOSCO FARIA Doutor e pesquisador em química de destilados pela Unesp e Unicamp
ERWIN WEIMANNQuímico e mestre-cervejeiro, autor do livro Cachaça: a Bebida Brasileira
MARIA JOSÉ MIRANDADiretora da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), que coordena o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana, Cachaça ou Caninha
PAULO MAGOULASJornalista, publicitário e presidente da Academia Brasileira da Cachaça
CLÁUDIA FERNANDESCachaciére e presidente da Confraria do Copo Furado
MAURÍCIO MAIAPresta assessoria e consultoria especializada para cachaçarias
RONALDO RIBEIRORepórter da revista National Geographic, autor de reportagens sobre Anísio Santiago
CELSO NOGUEIRAEspecialista em destilados e palestrante sobre harmonização de cachaça e charutos
MARCO ANTÔNIO MARIANOComanda a cachaçaria paulistana Consulado da Cachaça
SÉRGIO ARNODono da Universidade da Cachaça (SP) e colecionador com mais de 1.600 garrafas
MOACYR LUZMúsico apaixonado por cachaça
MARION BRASILCachaciére carioca responsável pela carta de diversas cachaçarias do Rio de Janeiro

ONDE COMPRAR: Cachaça & Cia.: http://playboy.abril.uol.com.br/revista/edicoes/383/aberto/reportagens/www.cachaca.com.br; Cia do Whisky: Tel.(11)5055-6000; Cachaçaria Paraty: Tel.(24)3371-1054; Cachaças do Nordeste: http://playboy.abril.uol.com.br/revista/edicoes/383/aberto/reportagens/www.cachacasdonordeste.com.br; Grife da Cachaça: http://playboy.abril.uol.com.br/revista/edicoes/383/aberto/reportagens/www.grifedacachaça.com.br
Fonte:

Playboy - abril de 2007.
http://playboy.abril.uol.com.br/revista/edicoes/383/aberto/reportagens/conteudo_229963.shtml#top



Rodrigo Nonno

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Tirar o Cordão da boca da criança



Quando iniciei leitura no Ilha Notícias, confesso ter ficado feliz com a iniciativa da representação do autêntico carnaval do nosso Rio de Janeiro, aqui em dependências insulanas. Festa democrática, da qual nos orgulhamos tanto. Porém, ao continuar na ingrata notícia veio o susto: "Homens pagam R$ 20 pela entrada, e mulheres R$ 15. Mesas com 4 lugares custam R$ 100, e camarotes (para 8 pessoas, R$ 280). Pode parecer bobagem, mas e a cerveja, a água, o churrasquinho ... ?
Sei bem que para quem se embrenha em "festas profanas" (micaretas etc.) pelo Brasil a fora, essa quantia pode ser irrisória, mas esses freqüentadores simpatizantes da "micaretisse" baiana não irão se quer tomar conhecimento desse evento, quando sim com desdenho.
O povo ficará mais uma vez sem acesso aos frutos da nossa cultura popular.


Pelo amor de Deus !

sábado, 2 de junho de 2007

Entrevista com Renatinho Partideiro





À esquerda, Renatinho Partideiro, com seu amigo e companheiro de Partideiros do Cacique, Marcinho do Pandeiro.




Mesmo com tamanha correria, bati um papo de primeira com Renatinho Partideiro, na cara da passarela do Engenho da Rainha, em um "buteco" muito receptivo, no bairro de Pilares, terra natal do notável sambista। Cheguei lá pela manhã, e com algumas cervejas pretas, invadimos a tarde - quase noitinha। Até ensaiamos alguns versoस.
RN: Para começarmos do início, Renatinho। Como sempre fazem, me conte como foi a infância e o interesse pelo samba। Veio de berço, não é ?
RP: Nasci e vivi entre as comunidade do Morro do Urubu e do Engenho da Rainha, onde estamos agora. A minha família sempre foi envolvida com samba. Meu pai era sambista e foi integrante do conjunto Os Cantores De Ébano. Meus avós são fundadores da Caprichoso de Pilares. Outros tios freqüentavam o Império Serrano, o Salgueiro ... Na minha casa, todos os finais de semana se fazia festa. Era aquela "comidaria" toda. Eu venho de uma família de sambistas, vem no DNA.
RN: É a melhor escola, não é Renatinho ?

RP: É, mas tem gente que não tem o samba como herança, no entanto, abraçam a causa também são grandes sambistas।

RN: Verdade।

RP: O verdadeiro sambista tem aquilo na alma।

RN: E como apareceu o partido-alto, você via o pessoal versando e aquilo te interessou? Como você soube que era bom nisso ?

RP: Pô, cara, agora você me pegou। A história é a seguinte: na minha casa se fazia partido-alto. Meu pai além de Ogan, era partideiro, meus tios também. Se juntavam meu tio Arthur, Waldir, Tunico, Barata, Quinho do Surdo, em fim... uma galera boa do Engenho da Rainha e do Urubu. Meu tio André também. A gente sempre brincava de partido–alto. Versando pro outro o samba-duro, e eu testemunhei tudo isso. Fui testemunha ocular. Mas teve uma certa época da minha vida que entrou aquela fase de Soul e eu fui também.

RN: Você tinha que idade?

RP: ahhh... não lembro। Eu era jovem, pequeno ainda. Era aquela coisa de deixar Cabelo Black, né ? E fui, enfim ॥era uma coisa bacana , conscientizadora, que ninguém brigava com ninguém, todo mundo se curtia, mas eu larguei um pouco isso. Um belo dia um amigo meu, o Neném do Engenho da Rainha, que Deus o tenha no Reino da Glória, ganhou um gravador, e pra brincar e testar o gravador dele, a gente versava. Cada um que versasse errado, ganhava um bolo na mão. Eu era o que mais versava errado (risos). Aí todo mundo queria me pegar pra pato. Na turma, eu era o pato. Dava a mão toda hora. Aí um belo dia eu falei: "vocês já estão muito mal acostumados. Pô, meu irmão vocês vão deitar pro santo errado! Vou começar a pegar a manha desse bagulho aí." Aí comecei ... foi quando o Zilô me ligou: " tu tens que ir lá no Cacique. Lá tem uma roda de partido-alto e tal." Aí eu enganei a minha mãe, dizendo que ia pra outro lugar e parei lá no Cacique de Ramos, numa quarta-feira. Foi quando vi o Baiano do cacique de Ramos versando, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Neoci, aqueles caras todos. Fiquei louco! Falei: " Meu Deus! Se eu fosse igual a esse caras aqui, ninguém me dava mais bolo lá." Aí comecei, né ? . Quando eu vi o Baiano, o idolatrava, e disse : " Como é que faço pra ser assim igual a você ?" Ele passou a mão na minha cabeça e disse que era fácil. Eu era uma criança idolatrando o cara, mas ele ... nem aí pra mim. Pensei outra vez : caraca, se eu fosse igual a esse cara aqui... eles são foda. Aí eu comecei. Toda quarta-feira aquilo se tornou um vício. Eu era menino.

RN: agora você lembra a idade ?

RP: Não, mais aí eu já não era mais o mesmo। Nem lembro de idade, pois eu já comecei a largar um pouco o estudo. Não me interessei mais pelo estudo, por trabalho. Era só o lance do Cacique. Ficava rezando pra dar quarta-feira. Ir pra lá e ver aqueles caras todos. Eu ficava louco. Fui andando, andando, vendo os caras, pegando manha, até que eu colei com meu primo Zeca Gordo e fui por aí a fora. Quando voltei pra Pilares de novo, eu já não era mais aquele otário (risos). A rapaziada me chamou: " vamos fazer um partido-alto?". Um cochichando com o outro: "olha o pato, a gente vai deitar e rolar." Porém, eu já não era mais aquele pato. Eu que dei bolo em todo mundo. Aí , meu irmão, de lá pra cá eu comecei a ter o respeito da rapaziada. Tudo que eu aprendi foi no Cacique. Eu já tinha a herança, a origem da minha casa e lá me desenvolvi com tal. Hoje eu vejo Tantinho, que é muito bom, o China, Zeca Pagodinho, almir Guineto, essa turma do Cacique, seu Xangô da Mangueira, Nei Lopes, Sombrinha, Arlindo, e isso só faz enriquecer o pouco do que sei.

RN: Aliás, você é citado no livro do Nei Lopes, né ? Ele cita você no livro, quando se refere à uma nova geração de partideiros।
RP: Qual é o livro?

RN: Partido-Alto: Samba de Bamba।

RP: Não conheço, mas vou procurar।

RN: Eu te empresto। Deixo contigo.

RP: Tá legal, mas quero comprar pra ter mesmo।

RN: Isso।

RP: Entendeu ? Mas esses bambas todos। Comecei então a me interar de quem era Aniceto, Padeirinho, Babaú, João da Gente, Ataliba da Imperatriz, Geraldo Babão, Almir Baixinho do Salgueiro। Comecei a me aprofundar no tema, pra me aprimorar. Confesso a você que em relação a esses caras, eu não sou nada.

RN: Não precisa essa simplicidade toda, Renatinho।

RN: A galera do Partideiros do Cacique, como você conheceu, como foi a idéia de montar o grupo?

RP: Na verdade o Bira Presidente ... havia o Fundo de Quintal, que sempre foi a prata da casa.
RN: A referência।

RP: Isso! Então ele queria montar uma rapaziada que tivesse uma representatividade à altura.
Por lá passou muita gente। Foi feita uma peneira.

RN: Gente com talento, mas também nem tanto assim ?

RP: Isso, mas todos muito esforçados। Agora, tinham uns que tinham muito talento, mas não estavam nem aí. Não se preocupavam e progredir, prosperar, mas queriam sucesso muito rápido. Em fim... o Bira me abriu essa condição e me deu autonomia, para selecionar o pessoal e levar.
RN: Então foi você os responsável pelo crivo ?

RP: Mas isso me fez querido por uns e odiado por outros, mas eu tive essa oportunidade।

- Fala Velha Guarda!
- E aí, doutor Renatinho, disseram que esse pagode aqui é seu, o Pagode do Ratinho ?
- Não se é do Ratinho, é do Ratinho mesmo। (risos) Ali perto do shopping, né ?
- É.
- Não, se fosse meu, já eras meu convidado de honra (risos)।
- Beleza!
- Vai lá।

RP: Então eu não agradei a todos, mas decisões tinham que ser tomadas। E eu chamei o Banana, que é o neto do João da Bahiana, filho do Neoci, trouxe o Márcio Vanderley, que por sinal tornou-se um grande amigo, um grande maestro। Trouxe também o Marcinho do Pandeiro, com um pandeiro extraordinário – agora afilhado do Bira - , o próprio Carlinhos Tchatchatcha, que veio também pra somar. Agora, o Cacique de Ramos está aí com essa formação. Outros já passaram e outros virão, pois não somos eternos. Procuramos levantar aquela bandeira lá com muita qualidade.

RN: O lance bacana é vocês manterem a tradição। Vocês levam tudo no gogó e usam uma caixinha só, par o violão. Mantendo aquilo, mostra pra quem tá chegando. E esses vão gostando da forma antiga que era feito o negócio.

RP: É mesmo। A gente procura manter a autenticidade da coisa, pra não se perder isso. Agora, a coisa do partido-alto você não vê mais. O único lugar que você vê partido-alto como referência é no Cacique de Ramos. Não deveria já que o samba originou-se do partido-alto, se as escolas de samba desfilavam ao som do partido-alto, por que a discriminação?

RN: Segundo Nei Lopes, essa é forma dos grandes mestres do samba। É a maneira mais difícil.

RP: É, mas hoje tem muita gente preocupada em fazer samba só visando a reprodução de capital। Não estão preocupados com a sua origem e preservar as coisas que a gente tem. Então, o partido-alto é isso. Quando Candeia revelou que as escolas de samba despertavam ao som de partido-alto muita gente não entendeu, mas é verdade. As escolas vinham com um samba de quatro linhas e ara todo de partido-alto. Hoje mudou. Para agradar uma fatia da sociedade, ela (escola de samba) se modernizou, em fim , tomou outra forma.

RN: Quando Candeia fundou o Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo, já era uma resistência a isso। Ele já estava preocupado , não acha ?

RP: Sim, claro। Ele estava preocupado com as denominações que o samba vinha tomando। O samba vem sendo deturpado, cada vez mais. Pra agradar a mídia ou o mercado. Não sei como que é isso. Eu sei que estão muito preocupados em fazer samba somente visando capital. Não que eu tenha alergia a dinheiro. Eu preciso dele pra pagar minhas contas, mas a gente podendo manter e segurar essa onda ...

RN: Renatinho, o seu nome tem o nome do seu grupo। Isso te remete imediatamente à questão do grupo। Qual foi a sua influência nisso ?

RP: Na verdade foi uma coisa que nasceu naturalmente। Foi através de uma reunião entre e o Bira Presidente. A gente teve uma discussão : Qual vai ser o nome dessa rapaziada? Ele viu a rapaziada tocando e ficou doido, mas não tem nome. Não época tinha o Paulo Henrique, grande partideiro lá da Mocidade. Era uma galera do caramba. Tinha o Coelho, o Lula que hoje é do Galocantô. Todo mundo partideiro. Então virou Partideiros do Cacique, mas eu já era Renatinho Partideiro. Antes disso eu já tinha gravado com a Beth Carvalho.

RN: No disco do Gabrielzinho do Irajá tem a sua participação।

RP: Isso! É junto com Arlindo।

RP: O Gabrielzinho foi um menino que saiu lá da nossa escola। Hoje está aí muito bem, graças Deus। É um exímio partideiro, e te digo mais: vão escutar falar muito desse menino. Esse garoto é um grande sambista.

RN: Na verdade, ele já é uma realidade। Deixou de ser promessa.

RP: Eu aposto muito naquele menino।

RN: É seu pupilo, né ?

RP: Sou suspeito pra falar, pois tenho um carinho muito grande por ele। Ele é um menino que na escolinha, se destacava dos outros. Por causa da deficiência que ele tem, eu o mostrava que não podia ser um mais ou menos, teria que ser o melhor. A deficiência dele dificulta muito no partido-alto, pois nessa modalidade, você tem que ver e retratar, quando não imaginar, e ele não pode enxergar. Então ele tem que ter uma imaginação extraordinária, além do comum. Pra treiná-lo eu colocava objetos na mão dele e fazia um verso rapidinho, pra que ele respondesse. O garoto não errava um.

RN: Bom Renatinho, o Cacique é uma casa de bambas, lar de uma geração inteira, precurssora de um movimento, começado no final da década de 70, com um samba atrelado às raízes, mas com a introdução de novos instrumentos। Se estabeleceu como uma casa emblemática, não é isso? Essa questão toda facilita ou passa uma sensação de cobrança para com o trabalho de que fazem? Fica aquele troço de filho de craque ... ?

RP: Na verdade, a gente faz o samba ali por filosofia। O Cacique de Ramos é uma filosofia de samba. A gente faz com respeito à casa, por todos que já passaram ali, que temo como referência, São o nosso norte. Não é brincadeira. Pô, eu vi o feito de Almir Guineto, que até hoje faz. Vi o feito do Arlindo, o Fundo de Quintal, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Beth Carvalho. Esse povo todo que está aí . Se você peneirar, tirando Martinho da Vila e Paulinho da Viola, - grandes mestres - , não se encontra coisa igual em lugar algum. Não se vê nada de extraordinário da época do Cacique de Ramos pra cá. Então temos uma responsabilidade muito grande em manter aquilo ali. Manter com responsabilidade e dignidade, pois manter com porcaria, qualquer um poderia fazer. É fogo, cara. – Difícil! é uma pergunta que ....

RN: A cobrança é grande।

RP: Claro que há। Olha, quando fizemos o DVD Raça Brasileira 20 Anos, a nossa responsabilidade aumentou, pois é uma batucada diferente, que as pessoas não escutam nos dias de hoje. A pegada que é o bagulho, aquela a coisa toda, nos transformou positivamente. As pessoas perguntam: que som é esse? Outro dia eu estava em um shopping, aí colocaram o DVD lá. Eu passeando normalmente, quando passou uma menina que começou a sambar e falou : "caramba que som gostoso!" Eu fiquei envaidecido, mas segurei minha onda (muitos risos). Ainda bem que o trecho que estava passando eu não aparecia. Aí a outra falou: "é lá do cacique de Ramos!" Aí eu pensei: caramba , legal. É bom que dá uma massagem no ego, mas é isso aí.

RN: Você citou vários nomes, mas me diga três que são suas principais referências।
RP: Pô, Rodrigo, três seria pouco, cara। Eu tenho muita gente como referência. Sou fã de Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Zeca, Almir, Jorge Aragão, Beth Carvalho, Fundo de Quintal Dudu Nobre, Revelação, Sombrinha, Arlindo, Cleber Augusto, Luiz Carlos da Vila, outro gênio. É muita gente. È difícil você dizer. Elton Medeiros, Nelson Sargento, Tantinho, Ratinho, Monarco, Mauro Diniz, Casquinha, Serginho Procópio, Bandeira Brasil, Mário Sérgio. Sou fã de muita gente. Sou fã de todos. Dona Ivone Lara ... você fala de um e lembra de um montão. É complicado. Wilson Moreira e Nei Lopes.... .Tive a oportunidade, uma benção, que foi homenageá-los na Feijoada da Mangueira, quando eu estava à frente da parte musical lá. Pra mim foi uma das coisas mais emocionantes. Também fiz homenagem Darcy da Mangueira, o Tantinho, o Jurandi, que faleceu esse ano. Quis homenagear o Tio Hélio, mas não tive a oportunidade, pois ele morreu antes. O samba lamentavelmente é cheio de controvérsias.

RN: Vou mudar a pergunta então : Quem mais te inspira no partido-alto? Lembra de um nome só agora।

RP: Bom, eu falei isso para o Baiano।

RN: Que também já se foi।

RP: Como não pude ver o Aniceto, o Geraldo Babão, Babaú, Padeirinho ...

RN: Zagaia।

RP: Isso!

RP: Vi o Beto Sem Braço, Ari do Lápis। Minha referência maior ainda é o Baiano. Foi com quem tive contato direto, depois da minha família, foi o Baiano do Cacique।

RN: Renatinho, qual foi o melhor partideiro que encarou ?

RP: Todos। Tenho muito respeito a todos eles। Não citei anteriormente, mas tem um grande partideiro que se chama Deni de Lima. Tive duelos com ele que você não faz idéia. É um cara que tenho maior respeito e carinho. Ele é melhor que muitos que estão por aí, sabe ?

RN: Além do seu pupilo, o Gabrielzinho, quem mais você acha que está no bom caminho e promete ?

RP: Ahh...o Xandi é muito bom। Já é uma "Revelação", né ? (risos) . Tem o Juninho de Irajá, o Vinícius. Os caras tão vindo aí versando direito, cara. Bernardo, Di Cáprio, Papagaio, Baiaco. É uma galera que vem com muita inspiração. As vezes falha memória, sabe ? Mas estão aí segurando a bandeira.

RN: Como foi o lance lá da sua escolinha de partido-alto ?

RP: Eu uso tudo no plural। Nada se concretiza só no Eu, saco ? Ningem consegue nada soziho। Quando o trabalho surgiu, a gente procurou dar ocupação, tirando do ócio, mas apresentando algo transformador, pra que eles cresçam melhores com seres humanos. A única forma que encontramos foi com o partido-alto, para colocar um pouco mais de poesia no coração deles. A rádio que eles escutam, as FMs não têm poesia alguma, pelo contrário. A forma foi essa então. Fazendo versos bonitos, poéticos. Isso mexeu com a alma deles. A forma de chegar até eles foi essa, com a poesia.

RN: Seria bom se trabalhos com esse fossem distribuídos em vários pontos da cidade, não é ?

RP: Seria ótimo, pois estamos perdendo a identidade। Hoje o garoto da favela quer fazer Hip-Hop. Ele faz uma crítica, um protesto contra a sociedade dos Estados Unidos, reproduzindo a música americana, podendo reproduzir a música da terra dele. É isso aí. Há uma incoerência aí, mas temos que despertar essa consciência nele. Mostrar de onde ele veio, o que ele tem que fazer para transforma uma escola melhor, onde ele quer chegar. São interrogações que eles não sabem responder , pois são influenciados.

RN: Quem melhor poderia apoiar o trabalho, Renatinho?

RP: Tanto o poder público, quanto a iniciativa privada tem essa condição, mas não tem interesse।

RN: Você acha que seria interessante pra eles ter um povo alienado ?

RP: Sim। Assim são facilmente conduzidos। Você nas escolas ? O sujeito não precisa mais estudar pra passar de ano। É brincadeira! Como é que se consegue chegar em uma faculdade escrevendo gato com "J" ? É complicado।

RN: Você acha que o samba deveria ser ênfase maior nas escolas?

RP: Como falei, o poder público não quer essas pessoas conscientizadas। Se eles quisessem não tirariam as aulas de música nas escolas। Antigamente você tinha aula de música, Educação Moral e Cívica.

RN: Participei durante dez anos da banda da escola। Cheguei lá agora e não tem mais banda.

RP: Não tem mais banda। Nas aulas de música da escola escutávamos Cartola, Vinícius de Morais, sabíamos o que eles escreviam. Víamos coisas belíssimas do Lupicínio Rodrigues, mas agora não tem mais isso, para tirar a poesia da coisa. Hoje o cara tem que ouvir é "vai quicando".

RN: A sacada é fazer com que as pessoas não pensem, né ?

RP: É isso। É deixar que eles pensem por você. Antes tínhamos a critica musical. Hoje não temos mais. Hoje o jabá é tão grande, que eles empurram qualquer coisa vá à luta.

RN: Tem alguém que esteja fazendo parecido, que você considere importante ?

RP: Olha, se tiver eu parabenizo, mas eu não conheço। Queria poder ir, aplaudir, ajudar, mas lamentavelmente não conheço.

RN: Quais são os projetos futuros, Renatinho ?

RP: Temos o projeto do CD do Partideiros do Cacique, grupo que você conhece bem। Fui convidado pra fazer uma participação no Bip Bip. Tenho participação, ao lado de Serginho Procópio, Marquinho China e Thiago Mocotó, em um CD de partido, que está pra ser lançado na Europa, e esse é um trabalho muito legal, pois cada um defendendo a sua bandeira, a sua escola... Em fim, é uma produção do Toninho Galante, produtor do CD do Bip Bip, e que está pra vir aí, mas eu não sei como vai rolar.

RN: É isso então, Renatinho Partideiro। Muito obrigado!

RP: Por nada, Rodrigo.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Sempre competimos




"Ótima" ação da nossa Secretaria Municipal de Transportes, não é ?
É assim que eles fazem com todas as medidas em benefício da população, colocam uma
máscara. Deveriam ter faixas exclusivas para nós atletas do trânsito caótico, sempre –
acredito que o Sr. Secretário não assista às competições diárias que participamos para
superarmos os limites da nossa paciência, e não sermos desclassificados de nosso emprego por chegarmos nas últimas colocações do marcador de ponto.
- outro dia bati meu próprio recorde, chegando quatro minutos antes, mas lá não ganho medalha.
Nem mesmo quem irá trabalhar no Pan 2007 terá acesso à essa regalia desportiva, pois esse
benefício é só para quem vem de fora lançar discos e dardos tamanho gigante (lanças),
acertar tiros em alvos de cortiça. A diferença é que os atletas daqui são os alvos e as barreiras
nas vias da cidade.
Rodrigo Nonno

"ô sorte!"










Sorte é ter tão bom vizinho. Pena é não sabermos que temos como "conterrâneo" – na verdade nem deveria usar esse termo , pois se ele não for da Serrinha, me enganei feio - figura tão ilustre. Falo de quem estudou música com Joaquim Naegle e Darci Barbosa. Me refiro a um competente músico que foi levado por Bituca à Escola Flor do Ritmo, no Méier, e que ao atingir a maioridade fez parte da Orquestra de Permínio Gonçalves e da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Assim ele começou sua carreira artística bem sucedida. O memorável baterista tocou com Elizeth Cardoso, Elis Regina, Roberto Carlos e Chico Buarque, ainda outros grandes. Wilson das Neves é um dos principais nomes da musica nacional, um dos grandes representante da nossa música no exterior e morador da Ilha.
Após quarenta anos de carreira, Das Neves se projetou como compositor, lançando os CDs Brasão de Orfeu, e O Som Sagrado de Wilson das Neves, com composições maravilhosas, entre elas, O Samba é Meu Dom. É uma coisa de outro mundo escutá-lo cantando Grande Hotel, com Chico Buarque, ou melhor, ouvi-lo cantando aquela bela homenagem ao Mestre Marçal. Sei lá o que é melhor ...

Na verdade, nunca o vi transitando pelo bairro ou em algum botequim insulano, mas Deus escreve certo por linhas tortas, pois com toda certeza, se eu o encontrasse, o abordaria para puxar uma conversatentando aprender um pouco mais sobre essa música a nossa música, e isso poderia importuná-lo, mas, ao mesmo tempo, penso que quem não arrisca não petisca. Às vezes, até fico pensando como seria esse encontro, pois admiração é tanta, que fico com certo receio. Calma, não farei nenhuma bobagem. Não importa! Saber que Das Neves mora na Ilha do Governador já me basta, mas fico com a sensação de ir ao Rio e não ver o mar. Coisa de fã ... não daqueles que gritam, que esperneiam, mas dos que querem somente beber uns copos de cerveja com seu ídolo. Só sei que quando encontrá-lo, farei como o próprio, e direi : ô sorte !
Inté