quinta-feira, 3 de setembro de 2009

SEU DOMÊNICO, O GUARDIÃO DA HISTÓRIA DA ILHA DO GOVERNADOR

É com enorme prazer que conto a vocês minhas muitas emoções destes últimos dias. Sim, afirmo isto com toda convicção do mundo, pois conheci três seres de incomensurável grandeza. No último domingo, 31 de agosto, fui à casa de um mestre do samba: Casquinha da Portela. Abrindo o mês com chave de ouro, na segunda-feira, primeiro de setembro, conheci nada mais, nada menos que Wilson das Neves, morador da Ilha, há quase 40 anos. Depois, para o site Guia Insulano – portal de notícias e serviços onde escrevo junto com Pablo Lima –, entrevistei o guardião do maior acervo histórico da Ilha do Governador, Seu Domênico Aversa, que me abriu as portas da sala onde está situado todo este tesouro.

Otto Enrique Trepte, o Casquinha, de 86 anos e Domênico Aversa, de 85 são dois lindíssimos senhores, que se equiparam também no cavalheirismo, no tato interpessoal. Eles têm praticamente a mesma idade, mas darei início à seqüência de entrevistas, com Seu Domênico por pura conveniência e comodidade, levando em consideração que este registro já foi feito para o citado site. Na parte do Guardião, registra-se também o aniversário de dez anos da sala que administra com maestria.


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Década de trabalho resgata quase 450 anos de história
Senhor de 85 anos que mantêm viva a história Ilha é voluntário há dez anos

No dia nove de setembro, de 1999, foi inaugurado na sala de mostra da Biblioteca Pública Municipal Euclides da Cunha, (Biblioteca do Cocotá) o Centro de Referência Histórica da Ilha do Governador. No local, é possível viajarmos no tempo, admirando milhares de fotografias da Ilha Antiga, na época em que nosso bairro ainda era recém loteado. Podemos também, ao olharmos os registros, imaginarmos uma viagem de bonde do Cacuia ao Bananal, num bairro ainda com características rurais, em meados do século passado. No Centro de Referência, também podem se vistos os primeiros mapas da Baía de Guanabara, e os objetos fabricados por aqui, nas antigas olarias insulanas. Nestes dez anos, um importantíssimo acervo foi criado, sob os cuidados de um voluntarioso e educadíssimo senhor.

Tudo isso e muito mais compõem os registros catalogados de Seu Domênico, o homem que garante a existência desta jóia no coração da Ilha. “Ninguém ama o que não conhece”, afirma o ítalo-descendente, que se tornou um insulano de coração, em 1962, quando veio para cá, transferido para uma agência do extinto banco em que trabalhava; isto no Cocotá. No auge dos seus 85 anos, Domênico Aversa cuida do mais completo acervo histórico da Ilha do Governador, chamando a atenção dos visitantes, para a rica história do bairro.

Nosso guardião ama tanto a Ilha que, por muito pouco, não se lembrou de onde nasceu, quando perguntado pelo Guia Insulano, de onde vinha este simpático senhor. Aversa é do Bairro da Saúde, na zona portuária do Rio, mas, de acordo com ele mesmo, é um apaixonado pelas terras insulanas. “Além das belezas naturais, do clima bucólico, tem o povo. O Povo da Ilha é que me conquistou.”, revela Seu Domênico, que depois de firmar residência aqui, há 47 anos, nunca mais saiu. Domênico Aversa tem um sonho: a construção de um museu com as nossas relíquias e registros históricos, mas ele reclama de falta de apoio dos órgãos públicos e da iniciativa privada, dos empresários locais, que poderiam ajudar a bancar o projeto, que está todo pronto em seus arquivos. “É um sonho antigo e necessário (...), mas algum político ou algum investidor vai nos ajudar, tenho certeza”, acredita o senhor vascaíno morador do Cocotá.

Além dos moradores interessados, o Centro de Referências Históricas da Ilha do Governado recebe muitos historiadores, estudantes, empresários e investidores, de segunda a sexta-feira, das 15 às 17 horas. A entrada é inteiramente grátis. Nossa Ilha do Governador completará 442 anos, neste dia 5 de setembro.

A subprefeitura ainda não informou se haverá uma festa para comemorar o aniversário da criação do espaço.


Com muito orgulho, Seu Domenico mostra algumas das milhares fotos da Ilha do Governador, expostas no Centro de Referência, que ele mantém como voluntário

Ao lado da coleção com todas as edições da Ilha Notícias, Seu Domenico agradece a gentileza do grupo, em oferecê-lo os jornais


Recorte de jornal mostrado por Seu Domênico, informando sobre Quarentinha. O maior artilheiro da história do Botafogo era morador da Ilha.


Frase que Seu Domenico faz questão de deixar explicita logo na entrada do Centro de Referencias Históricas da Ilha do Governador


" NINHGUÉM AMA O QUE NÃO CONHECE. CONHEÇA A ILHA DO GOVERNADOR E SUA MARAVILHOSA HISTÓRIA, E AME-A."

Domênico Aversa

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Deixo vocês com partes deste maravilhoso diálogo:




Inté.

9 comentários:

Tuninho disse...

Rodrigo,

Parabéns por falar da nossa amada Ilha. Sou nascido no Paulino Werneck, e quando morrer serei enterrado no Cacuaia. Mais insulano que isso impossível.
Me emociono quando Moacyr Luz canta "passei pelas praias da Ilha do Governador".

Mais uma vez parabéns.

Abraço!

Rodrigo Nonno disse...

Esta emoção também toma conta de mim, caro Tuninho.

Acho que deveria emocionar a todos os insulanos, já que nos fazem tão poucas homenagens, caro amigo.

Inté.

Aline disse...

Seu Domênico é vascão! rs
Gostei dele...

Aline disse...

Parabéns pela reportagem Rodrigo!
Exercendo o jornalismo sempre! Isso é amor à profissão e um verdadeiro dom! Adorei!

Elaine disse...

Não sou da Ilha e nem sou carioca!rs mas me emociono muito ao ver meu amigo querido, resgastando a história cultural do seu povo.. suas reportagens são ótimas. Rodrigo é maravilhoso. Obrigado por compartilhar isso tudo com seus amigos..Parabéns..amigo!!

Rodrigo Nonno disse...

Alinne:

Lhe agradeço muito por emprestar a câmera.

Quanto a ser vascaíno,você deve ter visto no video. Niguém é perfeito, minha caríssima amiga, ninguém ...

Obrigado pelos elogios que nem mereço tanto.

Beijos.

Rodrigo Nonno disse...

Chefe:

Você não imagina o quanto fico feliz em ter você e a Lucilia de olho no blog.

Gente como vocês que me motivam.
Em breve, colocarei aqui em O "butecólico" os belíssimos escritos de Lucilia Cavalcanti.

Um grande beijo pra vocês duas e toda família.

Daniel Rebelo disse...

Caro ébrio, a entrevista foi muito bem conduzida, vejo que você é tão bom jornalista quanto bebedor, seu Domênico é história viva, rara e cada vez mais incomum, infelizmente.
Vamos fazendo nossa parte, amando o Rio e esvaziando garrafas.
Saudações alambiquianas.

VIVA O MARACUJÁ!!!

Rodrigo Nonno disse...

Caro amigo!

Viva o Maracujá e as coisas simples, coisas faceis e deliciosas, como amar a Ilha e conversar com Seu Domênico Aversa.

Inté