sexta-feira, 6 de novembro de 2009

LUCILIA CAVALCANTI: LEMBRANÇAS DE VIDAS PASSADAS

Hoje O "butecólico" tem o orgulho de trazer um dos textos que mais me chamaram a atenção, um dos melhores de Lucilia. Este me fez refletir, me trazendo à tona muitas saudades - é verdade - daqueles queridos que já fizeram sua passagem para o infinito.
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LEMBRANÇAS DE VIDAS PASSADAS

São tantas as lembranças que se entrechocam em minha mente, que não consigo separá-las do tempo e das etapas da realidade vivida em meu passado. Busco os caminhos menos tortuosos, evito os atalhos e tento sair do labirinto da memória. Não chego à nitidez desejada para trazê-las à tona, com a coerência esperada.São lembranças de vidas passadas pela minha vida, vidas que foram importantes para mim, que me fizeram feliz, que me ajudaram a crescer, a ser melhor, a ver o mundo com mais alegria e tantas outras que me fizeram sofrer e me envolveram num torvelinho de mágoa, de angustia, de sentimentos de revolta e de dor. Essas e aquelas permanecem em minha memória e de certo modo me ajudaram no discernimento do certo e do errado, da crença e da descrença, do bem e do mal inerente ao ser humano.Aprendi com as vidas que pela minha vida passaram e que agora são só lembranças, que as palavras proferidas são como as bofetadas desferidas. Não retornam à boca de onde saíram, nem à mão de onde partiram. Continuam como um tormento na alma e na mente de quem as ouviu, ou na face de quem as recebeu, vibrando e ardendo por toda a vida. Talvez por toda a eternidade.

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Inté.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

AGORA TÁ RUSSO

As primeiras séries de fotografias (Bohêmia Escura e Antarctica) foram feitas no último final de semana, sobre a pia da minha cozinha, aqui de casa.
A última foto, é o garçom Heleno, do Planeta da Ribeira (disse aqui que não mais colocaria meus pés no citado estabelecimento, mas eu não poderia faltar tal evento), nos servindo sem dó nem piedade, às 02h45 da manhã, quando comemorávamos mais um aniversário da grande amiga Lulu , na madrugada de sábado para domingo.
Vejam se não concordam comigo. Tá ou não está russo o troço?





Inté.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

DANIEL C.A ENCONTRA CASQUINHA

Daniel C.A é o fã mais ardoroso (desses mais estéricos) do Casquinha da Portela. Por isso, resolvi convidá-lo para uma visita surpresa ao nosso astro. Empolgadíssimo – como não poderia deixar de ser –, C.A. aceitou o chamado sem pensar meia vez, concordando no ato, sem sequer esperar que eu falasse o horário. Antes do meio-dia, partimos com destino a Bangu, bairro onde reside o compositor e antigo parceiro de Candeia (no meio do caminho, apanhamos Vanderson, no terminal 1 do Galeão, onde – superando a crise da aviação – trabalha há coisa de vinte anos).

Chegando ao sobrado da estreita Rua Cordoniz, no Conjunto João Saldanha, - para desengano de todos a bordo - Mônica (filha caçula e esposa de Vanderson) nos informou que Casquinha havia saído. Mantendo de pé nosso pedido de que a visita fosse uma surpresa deixamos o casal, para procurarmos alguma birosca, enquanto nosso ídolo não pintava.

Logo ao virarmos na esquina, demos de cara com o Bar da Maura (Dona Maura é uma senhora desconfiada, aparentando uns sessenta e poucos anos, mas que foi se soltando ao reclamar do problema na vista: catarata), onde pedimos uma Brahma.

Quando partíamos para terceira garrafa, o celular nos interrompe. Vanderson me comunicava entusiasmado sobre a chegada de Casquinha:

- Rodrigo, ele chegou, corre!

Pagamos a que faltava e fomos depressa para casa do o componente número um da Azul e Branco.
Depois de longa conversa (coisa de quatro horas), onde mostrarmos a ele quase dez sambas de sua autoria, que o próprio Casquinha já não se lembrava mais (qualquer dia falo sobre essas composições), foi lindo ver a cara de alegria, a satisfação de C.A (um menino) em poder estar perto do velho malandro. Notem, caros amigos, nas fotografias a euforia, o estado de nervo de Daniel, ao lado do mestre.

Agora, foi emocionante ver o Cantor de Sacola relembrando, cantando sem titubear suas velhas composições com Candeia. Não vejo a hora de retornarmos. Só lamento por Casquinha não poder mais beber, para tomar umas conosco lá no Bar da Maura.
Inté.

LUCILIA CAVALCANTI: O ANDARILHO


Quinta-feira é dia de Lucilia Cavalcanti. Fiquem com nossa cronista.
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O ANDARILHO

Roupas empoeiradas, surradas e às vezes precisando de conserto e lavagem, alpargatas gastas, cabelos ressecados pelo vento, pelo sol e pela ausência de um bom banho. Já faz muito tempo que não passa por uma grande cidade. A caminhada é longa e o andarilho já está cansado e sonha com o que deixou para trás há muito tempo. Mochila às costas, violão a tira-colo, caminha vagarosamente pela longa estrada poeirenta que corta a paisagem desoladora daqueles campos ressequidos, onde não há nem uma arvore em cuja sombra possa se abrigar dos raios causticantes do sol e descansar um pouco. A próxima cidade ainda está longe. Naquele ermo sem fim, nota um presença de vida. É um cão faminto que segue seus passos, quase sem força, pelo eriçado, patas machucadas e de tão magro é possível contar-lhe as costelas. Pobre cão, que como ele vaga sozinho naquela estrada. Encontro macabro de duas vidas maltratadas. Um, um andarilho solitário, outro, um pobre cão faminto e enxotado. Andam lado a lado, parceiros do mesmo infortúnio. Sede e fome é o que não lhes falta. Andam juntos até à exaustão esperando o milagre de um abrigo qualquer, quando ao longe, muito longe avistam algo como um oásis, na solidão daquela estrada sem fim. Andam mais e mais até chegarem a um casebre semidestruído, de aparência miserável, completamente abandonado, mas que para o andarilho e seu cão assemelha-se a um palácio. Reunindo as forças que lhes restam, aceleraram os passos e caíram exaustos no chão de terra batida daquele abrigo inesperado. Ofegantes ali permanecem por muito tempo, sem se mexerem. Aos poucos o andarilho recobra o ânimo, senta-se, vasculha a mochila e ainda encontra um pão endurecido e uma garrafa com água. Bebe um pouco e na mesma caneca faz beber o seu companheiro. Corta o pão em dois pedaços e ambos comem avidamente. Extenuados, ali adormecem até o raiar da aurora de um novo dia. Levantam-se e ambos espreguiçam-se, cada um ao seu modo e reiniciam a jornada. Um sempre ao lado do outro. O andarilho acaricia a cabecinha do cão, que lhe agradece abanando a cauda. Ambos andam silenciosamente. O cão acompanhando o dono que nunca teve e o andarilho em busca do mundo perfeito, da liberdade tão ansiada, do nirvana, desde que abdicou do lar, do conforto, dos amigos e de seu grande amor. O cão encontrou o dono almejado, mas o andarilho jamais realizou o seu sonho. Quem passa pelas estradas, pelas vilas, pelas cidades desse imenso país, sempre encontra o andarilho e seu inseparável cão e assim será até o fim dos tempos.
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Inté.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

REGRESSO

Voltei com os cascos de cerveja em casa, algo que nunca deveria ter deixado de ter. Por conta de inúmeras reclamações de Minha Deise - alegando falta de espaço -, havíamos parado de guardar as garrafas vazias (tão úteis) em nosso apartamento. Condição que nos obrigava a comprar somente as latinhas. Não que eu seja totalmente contra a este tipo de embalagem, já que a mesma tem lá seu valor, principalmente em tempos de “portabilidade” – se é que isso combina com cerveja. Agora, o charme e a qualidade da cerveja engarrafada no casco escuro de 600 mililitros formam uma dupla imbatível, e isso não é novidade pra ninguém, muito menos para nós que tanto gostamos da bebida.
Mas agora que a convenci Minha Deise - pelo menos até a primeira briga por falta de espaço -, o engradado foi novamente para varanda. O certo seria mostrar a vocês a grade (como se chama o engradado nas cidades interioranas; lá também se chama maço de cigarros de carteira). Porém, resolvi explicitar parte da minha comemoração a este retorno, ao regresso dos cascos à minha casa. Para acompanhar, - no final de sequência de fotografias - nada melhor que Regresso, de Candeia, na voz do mesmo.


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Regresso
(Candeia)

Canto, canto com alegria
Hoje a nostalgia está triste
Sentindo o cantar que em meu coração bate
Tão forte e contente
Dizendo a toda gente
Que voltaste ao meu larNão sabia que voltavas tão meiga assim
Parte, amor, já é noite
Mas traga de novo o calor
Dos teus beijos pra mim
Que eu sei dar valor ao regresso
Juro, jamais te peço
Pra ficares, amor

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Inté.

LENTES DE O "butecólico": RAFAEL BARROS III


Já que a imagem não ficou lá grandes coisa, darei continuidade aos relatos sobre esta noite de sexta-feira, o dia que mais enche no Beto. Com isso, descrevo a vocês, que acompanham os relatos deste bar, uma triste constatação: há mais de uma semana, não se vê tremoços em nosso buteco de fé, e por este motivo, resolvi me valer de meu estoque (compro um pote com dois quilos e meio do acepipe no atacadista ASSAI, por R$ 8.00). Levei outro pote (este, menor, tipo esses tapeware’s) cheio até o tampo do tão apreciado leguminoso. Não satisfeito, Hugo resolveu fazer dali um rodízio de carnes, pedindo à Maria (esta aqui) todos os tipos de espetos que ela tinha pronto. Posso jurar que ele comeu mais duas bandejinhas dessas quem vocês irão ver, além de um copo de feijão, acreditem. Na hora de nos recolhermos - já que a noite era mesmo de surpresas -, meu irmão, Diego, aparece, após ter buscado sua Tânia no trabalho, isso já mais de meia-noite.


p.s: soube por minhas fontes que Rafa só abandonou o posto às duas da manhã.

Inté.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

LUCILIA CAVALCANTI: SÃO PAULO

Agora à noitinha, quando escolhia o texto desta quinta-feira (toda quinta é dia de Lucilia, em O “butecólico”), que – tenho certeza – enriquecerá tanto este blog quanto os outros postados anteriormente, precisei de uma sacudidela. O solavanco partiu de Minha Deise, quando me viu estático na frente da tela.

Perdi-me por inteiro quando fui tomado pelo texto, e atirado a uma cidade desconhecida, mas não tão suspeita. De fato, - sem sequer ter pisado por lá - me senti quase no quintal de casa, nessa – que nem sei se já era na ocasião dos relatos – a maior cidade da América Latina. Cidade dos tempos de outrora. América de gente como Lucilia Cavalcanti, uma obstinada.

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SÃO PAULO

Não te conheci, São Paulo, na época distante dos lampiões de gás, das serenatas, das cadeiras nas calçadas nas noites de verão, quando as pessoas dos bairros ainda consideravam uma grande família. As cadeiras nas calçadas, os homens discutindo política entre um gole de vinho, ou pinga e a fumaça de cigarros e charutos, as mulheres trocando receitas culinárias e de tricô e as crianças brincando de “pega-pega, de bola ou de “peteca”, sorrindo despreocupadas. Devia ser linda aquela época. Gostaria de ter conhecido lá, entretanto vim te conhecer na década de sessenta, quando já eras grande e confusa, mas ainda havia muito encanto em tuas ruas do centro e dos bairros. As pessoas ainda se cumprimentavam, ainda sorriam e se desculpavam se por acaso se esbarravam nas ruas, já bastante movimentadas. Lembro que levava meus filhos para passear no centro da cidade, onde tomávamos sorvetes e eles não dispensavam um lanche em uma boa pastelaria. Pasteis bons e confiáveis, feitos com esmero. As pessoas vestiam-se bem, as casas de chá eram bem frequentadas, com música ao vivo tocada por uma ou um pianista. As meninas e as mocinhas com vestidos da moda e bem confeccionados. Os meninos e os rapazes não usavam bermudões, nem camisetas coloridas como hoje. Os garotos e os rapazes usavam terninhos e gravatas borboleta. Era um luxo um passeio à tarde pela Rua Barão de Itapetininga e pela Praça Ramos de Azevedo em frente ao Mappin e ao Teatro Municipal. Já eras grande São Paulo e uma grande promessa em todos os sentidos. Agora, quarenta e nove anos depois, te vejo com outros olhos e com outros sentimentos. Vejo-te uma megalópolis cruel, fria e desumana. Os miseráveis se multiplicaram e já não podemos abrir a bolsa para dar-lhes uma moeda como antigamente. Ainda pior, já não conversamos ou acariciamos uma criança na rua, muito pelo contrário, temos medo dela. Que mundo é este em que uma criança na rua nos inspira terror, em vez de carinho? Cresceste São Paulo, evoluíste. Novas e belas construções, iluminação feérica no centro financeiro, Avenida Paulista, cartão postal da cidade belíssima. Restaurantes de auto padrão, casas de show cada vez maiores e sofisticadas, carrões cruzando as avenidas, metrô cortando o sub solo e transportando milhares de pessoas. És uma mega cidade. Os turistas te admiram e se encantam com o teu progresso. Grandes negócios são realizados periodicamente em tuas grandes feiras, monumentais feiras, dignas de países de primeiro mundo. O lazer é farto, farto e caro, com entretenimentos de alto luxo. Mas, São Paulo, vamos para as periferias. Lá são ruas escuras, esburacadas, favelas mal acabadas, com becos estreitos, esgoto a céu aberto e barracos caindo aos pedaços, crianças descalças garimpando o lixo, lixo que vem da megalópolis e de repente chegam os policiais à procura de bandidos. Distribuem pancadas, invadem barracos, empurram mulheres e crianças, levam homens presos, às vezes sem nenhuma culpa.

São Paulo dos grandes contrastes. Do belo e do horrível. Do rico, do pobre e do miserável. Dos bandidos, dos bandidos de gravata e dos bandidos políticos. São Paulo dos banqueiros, dos industriais, dos magnatas e dos trabalhadores espremidos no precário transporte urbano.

São Paulo dos grandes hospitais.
São Paulo dos hospitais públicos sem leito, sem médicos e sem remédios.
São Paulo dos grandes colégios.
São Paulo das escolas periférica sem teto e sem carteiras.
São Paulo das grandes mansões.
São Paulo dos moradores de rua
São Paulo de belos jardins.
São Paulo dos grandes lixões.
São Paulo, como pode dois mundos tão diferentes em uma mesma cidade?
São Paulo, por tudo isto, te amo, te odeio!
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Inté.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

RAFA ESCAPA NOVAMENTE

Definitivamente, tenho que mudar de fonte (é secreta e não posso revelar), ou - mais uma vez - fui despistado. Ao chegar hoje no Bar do Beto, vi quase todos, menos ele. Rafael Barros (este aqui), segundo soube no balcão, passou por lá, mas nada e de esquentar lugar. O ébrio zarpou imitando o Halley, me deixando entristecido.

Agora, para minha sorte, o local conta com a presença de outros ilustríssimos insulanos, que - assim como Rafa - também merecem ser estampados nas páginas de O "butecólico". O primeiro a dar as caras foi o Brito (Brito é pai do meu grande amigo Jeffinho - falarei dele outro dia - já foi flagrado, aqui, pelas lentes deste blog). Depois vem a Maria, que há muito mais de dez anos vende churrasquinho em frente ao Bar do Beto. Roberto, de certa forma, apoia a atividade desta simpaticíssima senhora. Maria atrai, quase todas as noites, com suas varetas de carne, salsichão e asa de frango na brasa, dezenas de beberrões, além de famílias inteiras. Por isso, ela até utiliza a energia elétrica do citado butequim para iluminar sua carrocinha. E eu ... bom, eu tenho o privilégio de assistir tudo isso de camarote, com Antarctica custando R$ 2.60.



Inté.